quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Relatando a Prática - trabalho orientado pela professora Carla Sorondo

      Desde o ano passado, quando vimos nossas colegas do quarto ano, na época terceiro, fazerem a prática, estávamos na expectativa de que a nossa acontecesse. No início deste ano, ficamos sabendo a data da Jornada (que organizamos) e da prática. Ambas datas foram adiadas, em virtude de paralisações e outros acontecimentos que de certa forma atrapalharam o andamento do nosso ano letivo, e só fizeram aumentar mais ainda a expectativa que já tínhamos.
      Eu queria conseguir fazer um bom trabalho, acreditava que era capaz disso, mas ao mesmo tempo temia por já ter ouvido muitas críticas duras de alguns professores, não consigo entender porque me dizem isso, não vejo em mim nada de tão errado, a não ser as coisas que ainda tenho que aprender, o que eu não considero defeito. Contudo, eu acreditava em poder ser uma boa professora.
      Em uma manhã normal, de aulas ainda mais normais, chega a nossa coordenadora Patrícia, convidando nossa turma para ir para a sala 29, do 31A, para dividirmos as duplas e trios e decidirmos juntos quem ficaria com cada turma. Eu já tinha combinado com minha colega Pâmela que faríamos juntas. Nós trabalhamos à tarde e precisávamos fazer a prática pela manhã, mesmo que as turmas disponíveis já fossem poucas nesse turno, queríamos muito trabalhar com terceiro ano, acabamos ficando com uma terceira série, turma B, com 23 alunos.
       No mesmo dia, curiosas demais para esperar o período da observação, fomos espiar, literalmente espiar a turma, e o que vimos eram crianças calmas, silenciosas, trabalhando quietos, em fila, sem nem se mexerem.
Na observação, descobrimos que tínhamos conseguido analisar bem a turma naquela “espiadinha”, e fomos além, entendemos que esse comportamento que os alunos apresentavam era o reflexo das ações da professora titular, e que com os especialistas eles se soltavam bem mais, sendo que presenciamos até mesmo brigas nas outras aulas. Percebemos que a titular não era uma bruxa, e que não podemos julgar o trabalho de ninguém, e muito menos desvalorizá-lo. Sendo assim, planejamos uma semana de muito movimento, mas também com regras bastante claras, uma coisa não anula a outra. Além disso, sempre tomamos o cuidado de nunca passar juízos de valor para as crianças, não somos melhores que nenhum professor deles e nem ao contrário, porém eles percebem que somos todos diferentes, até mesmo eu e a Pâmela somos muito diferentes.
      No planejamento, tivemos orientações de todos os professores, e embora as opiniões sejam divergentes algumas vezes e nos deixem sem saber o que é o certo a fazer, foi muito importante ter o apoio de todos eles. Também foi muito positivo a possibilidade de sermos atendidas no turno da noite em um dos dias, que foi um dia decisivo no rumo do nosso projeto. Aconteceram algumas coisas negativas, como por exemplo, a imposição de um conteúdo por parte de uma professora, mas foram poucas em vista dos aspectos positivos. Nosso tema foi cidadania, muito amplo, muito aplicável e muito importante.
      Nosso planejamento funcionou bem, os alunos gostaram do tema, escolheram muito bem os títulos do Projeto (Brincando e Aprendendo) e do Programa de Reportagens (3ª B, a gente aprende pra valer), que era o nosso produto final, nós e os alunos adoramos produzi-lo.
      Mas teve uma coisa que poderia ter sido diferente, é que ao longo do período de planejamento cortamos toda a segunda etapa que tínhamos no projeto, porque todas as pessoas nos diziam que os alunos não iam dar conta, que tinha coisa demais. Mas percebemos, na prática, que eles não só conseguiriam como adorariam aquela segunda etapa, sendo que até mesmo sugeriram atividades muito semelhantes daquelas que faríamos. Por outro lado, todas as manhãs, sobrava-nos tempo e podíamos adicionar atividades extras, incluindo aí a vontade dos alunos.
      Conseguimos realizar todas as atividades que planejamos sem maiores problemas, sendo que o maior foi a grande e, em certos momentos, excessiva empolgação que os alunos demonstravam em realizar as atividades, para eles muito diferentes. Os nossos bons resultados alcançados seriam muito melhores se tivéssemos mantido a segunda etapa, não me conformo com esse nosso erro, podia ter sido ainda melhor, os alunos poderiam ter aprendido ainda mais.
      De uma forma mais ampla, conseguimos além de proporcionar a construção de conhecimento por parte dos alunos e também em nós, conseguimos nos relacionar muito bem com eles, embora tenha sido pouco tempo, vale como comprovação de que para que haja uma aprendizagem significativa, professor e aluno precisam manter uma relação de respeito e preocupação (mútua), e fomos além disso, temos um carinho especial por cada um deles.
      Os alunos matem em sua maioria relações adequadas entre si, demonstrando cooperação, apoio e amizade, entre outros aspectos. Embora todas as atividades tenham sido pensadas com esse objetivo, entre outros, foi uma surpresa muito boa ver, por exemplo, uns torcendo pelos outros.
      Embora a gente já soubesse que as crianças sabem muito, e eu nunca duvidei disso, não pude deixar de me surpreender porque eles realmente sabiam mais do que muito, mais do que as crianças que convivo e mais do que pudemos perceber no período de observação, e isso foi muito bom, realmente uma oportunidade para aprofundar discussões, explorar bem essa possibilidade dos alunos e assim usar esses pontos de ancoragem para ajudá-los a construir mais conhecimentos, e se divertindo muito.
      Não houve casos de indisciplina propriamente dita, houveram casos isolados de pequenos problemas com agressividade, e tentamos conversar com eles de forma a mostrá-los que aquela não era a atitude correta de um bom cidadão (aproveitando o tema do nosso projeto), e podemos dizer que resolvemos os problemas, mesmo que saibamos que apenas superficialmente.

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